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Crescimento de incidentes de dados no Brasil: o que os números revelam sobre maturidade e riscos

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

A análise recente dos dados divulgados pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) traz um retrato importante — e ao mesmo tempo preocupante — do cenário brasileiro de privacidade e segurança da informação.


Mais do que números, os dados mostram tendências claras: as empresas estão comunicando mais incidentes, os ataques estão cada vez mais sofisticados e, ao mesmo tempo, falhas internas continuam sendo uma porta de entrada relevante para riscos.


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Um crescimento de incidentes de dados que vai além das estatísticas


Entre 2021 e 2025, o número de incidentes comunicados saltou de 186 para 395 — um crescimento de aproximadamente 112%.


Esse aumento pode ser interpretado sob duas óticas complementares:


Por um lado, indica uma evolução positiva na maturidade das organizações em relação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente no que diz respeito à obrigação de comunicar incidentes de segurança.


Por outro, revela que o volume de eventos de risco continua crescendo, impulsionado principalmente pela transformação digital acelerada e pelo aumento da superfície de ataque.


Em outras palavras: as empresas estão mais conscientes — mas também mais expostas.


Ataques cibernéticos lideram o cenário


Os dados reforçam uma tendência global: os ataques cibernéticos são hoje a principal causa de incidentes envolvendo dados pessoais.


Entre os mais recorrentes, destacam-se:

  • Ransomware (sequestro de dados)

  • Exploração de vulnerabilidades em sistemas

  • Roubo de credenciais


Juntos, esses vetores representam mais de 50% dos incidentes reportados.


Esse cenário evidencia um ponto crítico: não basta ter controles básicos. A sofisticação dos ataques exige uma abordagem contínua de gestão de riscos, atualização tecnológica e monitoramento ativo.


Além disso, o uso crescente de inteligência artificial em golpes e engenharia social tem elevado ainda mais o nível de complexidade dessas ameaças.


O fator humano e as falhas operacionais


Apesar do protagonismo dos ataques externos, os dados também mostram que falhas internas continuam sendo altamente relevantes.


Casos como:

  • Acesso indevido a informações

  • Divulgação não autorizada de dados

  • Envio de informações para destinatários incorretos


seguem aparecendo com frequência nos registros.


Esses incidentes, muitas vezes, não estão ligados à tecnologia, mas sim a processos mal definidos, ausência de treinamento ou falta de cultura organizacional voltada à proteção de dados.


Isso reforça uma verdade importante: segurança da informação não é apenas uma questão técnica — é também comportamental e organizacional.


O que os dados dizem sobre a maturidade das empresas


A leitura mais estratégica desses números aponta para um cenário de transição.


As organizações brasileiras estão, de fato, evoluindo em termos de governança e conformidade com a LGPD. A maior transparência na comunicação de incidentes é um sinal claro disso.


No entanto, essa evolução ainda não acompanha, na mesma velocidade, a complexidade dos riscos.


Ainda existem lacunas importantes em:

  • Estruturação de programas de segurança da informação

  • Implementação de políticas efetivas de proteção de dados

  • Gestão de acessos e identidades

  • Treinamento e conscientização de colaboradores

  • Monitoramento e resposta a incidentes


Ou seja, a maturidade regulatória começa a avançar, mas a maturidade operacional ainda precisa evoluir.


Caminhos para fortalecer a segurança e a conformidade


Diante desse cenário, algumas ações se tornam essenciais para as organizações que desejam reduzir riscos e fortalecer sua postura frente à LGPD:


1. Integrar segurança da informação e privacidade: Não tratar LGPD como um tema isolado, mas como parte de uma estratégia ampla de governança.


2. Investir em prevenção — não apenas em reação: Mapeamento de riscos, testes de vulnerabilidade e revisão contínua de controles devem fazer parte da rotina.


3. Fortalecer a cultura organizacional: Treinamento de colaboradores e campanhas de conscientização são fundamentais para reduzir falhas operacionais.


4. Estruturar planos de resposta a incidentes: Ter processos claros e testados para identificação, contenção e comunicação de incidentes.


5. Adotar uma abordagem baseada em risco: Direcionar esforços e investimentos para os ativos e processos mais críticos.


Conclusão


Os dados divulgados pela ANPD mostram um cenário dual: avanço na transparência e na maturidade regulatória, mas também um aumento relevante na exposição a riscos.


O recado é claro: estar em conformidade com a LGPD não é apenas cumprir obrigações legais — é construir resiliência organizacional.


Empresas que enxergam a segurança da informação e a proteção de dados como prioridade estratégica não apenas reduzem riscos, mas também fortalecem sua reputação, aumentam a confiança de clientes e se posicionam melhor em um mercado cada vez mais orientado à proteção de dados.

 
 
 

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